
O elemento filtrante hidrofóbico costuma entrar na especificação depois de um problema recorrente. Algumas semanas após a instalação, o filtro fino F8 já marca perda de carga próxima do limite de troca, e o pó acumulado não explica esse salto.
Em tomadas de ar externo, regiões úmidas e sistemas com paradas noturnas, a causa costuma ser a água. O meio filtrante absorve umidade, o ventilador consome mais energia e a troca chega antes do previsto.
Entender esse mecanismo permite especificar o filtro pela condição de operação, além da classe impressa na etiqueta.
O que é um elemento filtrante hidrofóbico
Elemento filtrante hidrofóbico é o meio filtrante tratado para repelir água. Ele não absorve umidade do ar, mantém a geometria do plissado mesmo em condição de saturação e preserva a área de passagem do ar ao longo da vida útil.
O papel celulósico convencional tem comportamento oposto. A celulose é higroscópica: absorve água, perde rigidez e pode deformar as dobras do plissado, o que reduz a área útil de filtragem.
O tratamento hidrofóbico mantém as vantagens da celulose plissada, como a alta capacidade de retenção de particulado fino e a baixa perda de carga inicial, e acrescenta estabilidade em ambientes úmidos.
Na prática, a diferença aparece em três pontos da operação:
- Perda de carga: o meio hidrofóbico mantém a curva de perda de carga mais próxima da prevista em projeto.
- Integridade estrutural: o plissado continua íntegro, sem colapso de dobras nem liberação de fibras.
- Condição sanitária: um meio que retém menos água oferece menos condição para o crescimento de microrganismos.
O que a umidade faz com o filtro fino
A umidade age sobre o filtro de três formas: aumenta a perda de carga, altera o comportamento das partículas retidas e, em alguns meios, reduz a eficiência. Os três efeitos têm consequências diferentes para a operação, e o primeiro é o que mais pesa na conta de energia.
A perda de carga sobe antes da saturação por pó
Bastam cerca de 60 minutos a 90% de umidade relativa para a perda de carga de um filtro subir 250 Pa. O dado vem de um estudo com filtros de cabine veicular publicado na revista Aerosol and Air Quality Research, que mediu esse aumento com a absorção de 140 g de água.
Dois pontos do estudo interessam diretamente à manutenção:
- O salto acontece logo no início da exposição: o pó seco acumulado no filtro absorve água com mais facilidade.
- O filtro usado sofre mais: com 12 meses de uso, a perda de carga subiu duas vezes mais rápido do que no filtro novo, nas mesmas condições.
Como referência de escala: no filtro fino F8, a perda de carga começa em 140 Pa e a final recomendada é de 600 Pa. Um acréscimo dessa ordem consumiria mais da metade da faixa de operação.
A eficiência muda pouco, e o problema passa despercebido
Em muitos casos, a eficiência do filtro úmido muda pouco. Um estudo publicado no Journal of Membrane Science concluiu que a eficiência de filtragem não foi afetada pela umidade relativa nem pela higroscopicidade das partículas, enquanto a perda de carga variou de forma significativa.
Esse comportamento explica por que a umidade raramente aparece como causa nas análises de falha. O ensaio de eficiência não denuncia o problema, e o aumento de pressão costuma ser atribuído à saturação comum por pó.
A composição do material retido agrava o quadro. Sais e poluentes atmosféricos absorvem água do ar, e quando a umidade relativa passa do ponto em que essas partículas começam a se dissolver, a perda de carga sobe de forma acentuada.
Em áreas industriais e urbanas, onde esse tipo de partícula é comum no ar externo, o efeito se soma ao da absorção pelo próprio meio filtrante.
Meios com carga eletrostática perdem eficiência
Alguns filtros alcançam a eficiência declarada com ajuda de carga eletrostática. Nesses casos, a umidade afeta também a filtragem: quanto mais úmido o ar, mais rápido a carga se dissipa e menor fica a eficiência.
A ISO 16890 considera esse risco e avalia o filtro também sem a carga eletrostática. Por isso, ao comparar filtros “equivalentes”, vale conferir a classificação ePM1 além da classe F8, porque ela mostra como o filtro se comporta depois que a carga se dissipa.
Umidade e risco microbiológico no filtro
A umidade também cria condição para colonização. O filtro retém poeira, esporos e bactérias, e a poeira acumulada serve de nutriente. Com o meio filtrante úmido, esses microrganismos encontram o ambiente de que precisam para se multiplicar. O risco cresce em três situações:
- Umidade relativa acima de 80%: longos períodos nessa condição favorecem a proliferação de bactérias nos filtros e a liberação delas no ar já filtrado. A recomendação é manter a umidade na região dos filtros em até 80%, na média de três dias, com recursos como pré-aquecedores antes do estágio de filtragem.
- Umidade relativa de 90%: filtros carregados com ar externo podem apresentar crescimento microbiano visível em até um mês de exposição contínua.
- Meio filtrante que retém água: quanto mais umidade o filtro acumula, maior a condição para o crescimento de fungos.
O elemento filtrante hidrofóbico retém menos umidade e reduz uma das condições que sustentam esse crescimento. Em hospitais, laboratórios e indústria farmacêutica, onde o filtro fino atua como pré-filtro de HEPA, isso protege o estágio final e a conformidade da área com a NBR 7256.
O que a norma brasileira pede
A Lei Federal 13.589/2018 exige PMOC em todo edifício de uso público e coletivo com ar climatizado. A NBR 17037:2023 substituiu a RE 09 da ANVISA como referência de qualidade do ar interior. A ABRAVA inclui filtragem e controle de umidade entre os pilares dessa gestão.
O filtro fino é classificado como F8 pela NBR 16101 e como ePM1 75% pela ISO 16890. Registrar no PMOC o meio filtrante e a umidade do local dá ao responsável técnico uma justificativa documentada para auditorias.
Filtro de ar fino ou filtro fino plano: qual especificar
A AirLink Filtros oferece duas versões de filtro fino F8, com a mesma perda de carga e aplicações diferentes. A escolha depende da umidade no ponto de instalação e do espaço disponível no gabinete.
| Critério | Filtro de Ar Fino (AL-BRF) | Filtro de Ar Fino Plano (AL-BRF/P) |
| Classe | F8 (ABNT) / ePM1 75% (ISO 16890) | F8 (ABNT) |
| Elemento filtrante | Papel celulósico hidrofóbico plissado | Poliéster, papel celulósico ou microfibra de vidro |
| Umidade relativa máxima | Até 100% | 80% |
| Temperatura máxima | 80 °C | 80 °C |
| Perda de carga inicial / final | 140 / 600 Pa | 140 / 600 Pa |
| Profundidade | 78 ou 292 mm | 78 mm |
| Vazão (595 × 595 mm) | 2.250 a 4.250 m³/h | 2.250 m³/h |
O Filtro de Ar Fino AL-BRF, com elemento filtrante hidrofóbico, é a especificação indicada para captação de ar externo, regiões úmidas, sistemas com paradas frequentes e pré-filtragem de HEPA em áreas críticas. A versão de 292 mm amplia a vazão para até 4.250 m³/h em sistemas de grande volume.
O Filtro de Ar Fino Plano AL-BRF/P atende gabinetes com pouco espaço, com 78 mm de profundidade e configuração plana ou em cunha. Ele é indicado para ambientes com umidade controlada, dentro do limite de 80%. Os dois modelos aceitam dimensões sob medida e molduras em aço galvanizado, alumínio ou inox.
Acesse aqui o catálogo completo AirLink Filtros
Especifique o filtro pela condição de operação
A classe F8 informa quanto o filtro retém. A condição de umidade define como ele se comporta ao longo da vida útil. O time técnico da AirLink Filtros avalia a umidade no ponto de instalação, a vazão e o espaço disponível para indicar o elemento filtrante adequado ao seu sistema.
Entre em contato com nossa equipe
FAQ: elemento filtrante hidrofóbico
O que é um elemento filtrante hidrofóbico?
É o meio filtrante tratado para repelir água. Ele não absorve a umidade do ar e mantém o plissado íntegro, o que preserva a perda de carga prevista e a vida útil do filtro em ambientes úmidos.
O filtro com elemento hidrofóbico filtra mais que o convencional?
A eficiência segue a classe do filtro, F8 ou ePM1 75%, nos dois casos. A vantagem do elemento filtrante hidrofóbico está na estabilidade da perda de carga e da estrutura quando a umidade sobe.
Qual umidade relativa um filtro fino suporta?
Depende do meio filtrante. O Filtro de Ar Fino AL-BRF, com elemento hidrofóbico, opera com umidade relativa de até 100%. O modelo Plano AL-BRF/P tem limite de 80%.
A umidade aumenta o consumo de energia do sistema HVAC?
Sim. O filtro úmido tem perda de carga maior, e o ventilador consome mais energia para manter a vazão de projeto. Um estudo com filtros de cabine registrou aumento de 250 Pa na perda de carga após cerca de uma hora a 90% de umidade relativa.
Filtro úmido pode desenvolver fungos e bactérias?
Pode. Pesquisas mostram proliferação de microrganismos em filtros expostos por longos períodos a umidade relativa acima de 80%. Meios que retêm menos água, como o elemento filtrante hidrofóbico, reduzem esse risco.
Qual a diferença entre F8 e ePM1 75%?
F8 é a classificação pela NBR 16101 e pela antiga EN 779. ePM1 75% é a classificação pela ISO 16890 e indica que o filtro retém ao menos 75% das partículas de até 1 µm, avaliado também sem carga eletrostática.




